Pular para o conteúdo principal

Postagens

Distopia, você sabe o que é? Definição, conceitos e obras

A palavra distopia, não é tão falada assim no mundo intelectual de hoje. Por isso, seu significado é pouco explorado pelos jovens. Mas, para explicar melhor, a palavra distopia é o contrário da palavra utopia. Em se você não tem ideia do que seja utopia, calma que a gente explica. A palavra, de modo geral, significa um mundo irreal, um universo paralelo, inimaginável, lugar fictício. Basicamente, um mundo que nunca irá existir, pois é um mundo perfeito. Enquanto isso, a palavra distopia que é o contrário de utopia. Ou seja, ela significa um universo autoritário, desigual e com divisão de classes econômicas. Basicamente, um mundo que tem a distopia é um universo controlado pelo Estado, o qual explora a classe inferior, os tornando súditos, um meio opressor, com condições precárias de humanidade. Contudo, nesse mundo os problemas são camuflados, fingindo uma perfeição de sistema, o que resulta em uma estupidez coletiva. Para explicar melhor, os principais traç...

Big Brother: como o conceito de George Orwell aparece na cultura pop

Reality show foi inspirado no clássico "1984", em que a autoridade do "Grande Irmão" segue os passos de toda a população por meio de câmeras 1984 é um romance distópico criado pelo escritor britânico George Orwell e publicado em 1949. É nele que surge o conceito de "Big Brother", uma autoridade que vigia as pessoas o tempo todo (Foto: Reprodução/catracalivre)  Apesar de ser um famoso reality show no Brasil e no mundo, o verdadeiro Big Brother tem sua origem na literatura . Ele é uma das premissas do livro 1984, do escritor britânico George Orwell . No romance, o personagem do Grande Irmão é o líder supremo do cenário (a fictícia Oceânia) que controla toda a população. Na história, todos os cantos públicos e privados estão ligados às “teletelas”, uma espécie de câmera capaz de monitorar, gravar e espionar a intimidade da sociedade — assim como acontece na casa do Projac, que abriga todo ano os participantes do reality. Escrita no sécu...

Erotismo no convento: os poemas eróticos de freiras nos séculos XVII e XVIII

[Postado por Geledés] No livro “Que Seja em Segredo”, lançado pela L&PM e com pesquisa e introdução de Ana Miranda, reúne escritos de freiras dos séculos XVII e XVIII, cujos conteúdos giram em torno do erotismo e da devassidão. Se, num primeiro momento, nos soa estranho pensar em freiras escrevendo sobre sexualidade, sexo e erotismo, num segundo momento nos damos conta de que é exatamente este fato que faz do livro uma obra tão interessante. Na época em que foram escritos, os conventos não estavam destinados àquelas que tinham vocação para o trabalho da igreja; quaisquer mulheres com “comportamentos difíceis” ou “inadequados” poderiam ver-se enclausuradas em conventos. Meninas e mulheres tidas como pessoas com “comportamento sexual exacerbado”, bastardas, rebeldes e que perderam a virgindade antes do casamento faziam parte deste grupo que era mandado para o convento no intuito de “endireitá-las”. Alguns homens iam se encontrar com estas freiras, no próprio convento ou ...

Franz Kafka e a Metamorfose nossa de cada dia

Aviso: o texto abaixo contém spoilers de A Metamorfose. Primeiro leia e se transforme em um inseto, depois volte “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.” — Franz Kafka em A Metamorfose Que começo, não? Sem nem explicar porquê, como, quando, onde ou como, Franz Kafka nos introduz a sua obra A Metamorfose. Curto e grosso. De certo a história é muito enigmática. São lançadas ao leitor mais dúvidas do que respostas e muitas pessoas acabam o livro perdidas ou pensando “é isso? sério que é só isso?”. Se foi o caso não se sinta mal, certamente não foi o único. Não há como dizer com toda a certeza do mundo quais foram as intenções do autor neste livro. Apenas ele tinha uma ideia clara do que ele queria passar como mensagem em suas palavras, o que deixa aberto a nós, leitores, a possibilidade de criar diversas interpretações distintas da trama. Tratarei aqui de duas que considero ai...

Augusto dos Anjos - o poeta amargo, angustiado e pessimista

O meu nirvana No alheamento da obscura forma humana,  De que, pensando, me desencarcero,  Foi que eu, num grito de emoção, sincero  Encontrei, afinal, o meu Nirvana!  Nessa manumissão schopenhauereana,  Onde a Vida do humano aspecto fero  Se desarraiga, eu, feito força, impero  Na imanência da Idéia Soberana!  Destruída a sensação que oriunda fora  Do tato -- ínfima antena aferidora  Destas tegumentárias mãos plebéias --  Gozo o prazer, que os anos não carcomem,  De haver trocado a minha forma de homem  Pela imortalidade das Idéias!  - Augusto dos Anjos, in "Eu e outras poesias". 42ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998. "Ah! Dentro de toda a alma existe a prova  De que a dor como um dartro se renova,  Augusto dos Anjos Quando o prazer barbaramente a ataca...  Assim também, observa a ciência crua,  Dentro da elipse ...

Amor, Força e Criação

É bom amar tanto quanto possamos, pois nisso consiste a verdadeira força, e aquele que ama muito realiza grandes coisas e é capaz –– e o que se faz por amor está bem feito. Quando ficamos admirados com um ou outro livro, por exemplo, tomando ao acaso: “A Andorinha”, “A Calhandra”, “O Rouxinol”, “As Aspirações do Outono” [...] é por quê estes livros foram escritos de coração, na simplicidade e na pobreza de espírito. Se só pudéssemos dizer umas poucas palavras, mas que tivessem sentido, seria melhor que pronunciar muitas que não fossem mais que sons vazios, e que poderiam ser pronunciadas com tanto mais facilidade, quanto menos utilidade tivessem. Se continuarmos a amar sinceramente o que na verdade é digno de amor, e não desperdiçarmos nosso amor com coisas insignificantes, nulas e insipidas, obteremos pouco a pouco mais luz e nos tornaremos mais fortes. — Van Gogh. Cartas a Théo. Coleção L&PM POKET: abril de 1997, p. 27. Obra de arte: “O Pintor na Estrada de Tarasco...

Contemplação e Suicídio

Acordei cedo e vi operários chegarem ao canteiro de obras, sob um sol magnífico. Você teria gostado de ver o aspecto peculiar deste rio de personagens negros, grandes e pequenos, primeiro na rua estreita e onde ainda havia muito pouco sol, e a seguir no canteiro. Depois disso me alimentei de um pedaço de pão seco e um copo de cerveja; é uma maneira, recomendada por Dickens àqueles que estão a ponto de suicidar, como sendo particularmente indicada para desviá-los ainda durante algum tempo desse projeto. E mesmo que não se esteja totalmente com essa disposição de espírito, é bom fazê-lo de vez em quando, pensando no quadro de Rembrandt, "Os Peregrinos de Emaús". — Van Gogh. Cartas a Théo . Coleção L&PM POKET: abril de 1997, p. 23. Obra de arte de Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669), “Os Peregrinos de Emaús”. Fonte: Literatus